Veja - Fevereiro 2004


As gêmeas de 300 milhões

Criadas na TV, Mary-Kate e Ashley Olsen são fenômeno de vendas – é esperar para ver

No Brasil, pouca gente ouviu falar delas. Ainda. Mas os interessados podem se preparar porque as gêmeas estão chegando. E fenômeno é pouco quando aplicado a Mary-Kate e Ashley Olsen, as irmãs americanas que estão prestes a dar dois passos importantes em sua trajetória. Primeiro, completar 18 anos, em junho próximo, o que as coloca num patamar além do universo adolescente onde reinam até agora. Segundo, extrapolar as fronteiras do conglomerado Estados Unidos e Canadá e invadir o resto do planeta com sua marca poderosa – é aí que entram os planos para o Brasil, entre outros países. Os fãs de seriados de TV talvez se lembrem das gêmeas: elas se revezaram durante oito anos no papel de Michelle, a garotinha esperta de Três É Demais, a série que acabou em 1995 mas até hoje é exibida na TV. Na pele da personagem, as irmãs Olsen, que no primeiro episódio tinham 9 meses, passaram a infância literalmente dentro da casa dos americanos. E de lá jamais saíram, na forma de filmes, livros, discos, roupas, até pasta de dentes, todos artigos cobiçados e vorazmente consumidos pela faixa que vai das tweens – as pré-adolescentes – às jovens teens, para usar a terminologia do mercado. Pequenininhas, bonitinhas, sempre bem arrumadas, maquiadas e comportadas, elas são praticamente uma versão em dose dupla da meiga Sandy. "Fazemos muitas coisas", diz Ashley, a mais falante das duas. "Mas, por mais que a gente trabalhe e tenha tantas tarefas, somos meninas comuns. Levamos uma vida normal." Lembra alguém?

Que ninguém se engane com esse jeito Sandy de ser. As fofas baixinhas vendem como gente grande. O volume de vendas dos produtos com a marca das gêmeas no ano passado é calculado em 1,1 bilhão de dólares. Em suas bolsinhas de grife Mary-Kate e Ashley acumulam, figurativamente, uma fortuna pessoal calculada em 150 milhões de dólares – cada uma. O império adolescente é comandado por Robert Thorne, o executivo a quem os pais das meninas entregaram o destino artístico e comercial das filhas quando elas tinham 4 anos. Thorne criou a Dualstar Entertainment, a empresa responsável pelos números estarrecedores. Alguns exemplos. Os 47 filmes das gêmeas lançados diretamente em vídeo venderam 40 milhões de fitas. A grife que criaram há três anos, mary-kateandashley (o forte são roupas para meninas de 6 a 12 anos, mas também dá nome a roupas de bebê, cosméticos, sapatos, bolsas, óculos, perfumes, móveis e roupa de cama e banho), exclusiva da rede Wal-Mart americana, registrou vendas de 400 milhões de dólares em 2003. Seus livros já renderam 130 milhões de dólares. As bonecas com suas feições ocupam a segunda posição entre as mais vendidas pela fabricante Mattel, perdendo só para a Barbie.

As meninas nasceram e se criaram na Califórnia, dividindo o tempo entre a casa do pai e a da mãe, divorciados. Estudaram em escola particular (ótimas alunas, claro), beijaram pela primeira vez em um filme aos 13 anos, ganharam um Range Rover cada uma aos 16 (a idade para dirigir nos Estados Unidos). Agora, acabam de se mudar para Nova York, onde vão estudar numa faculdade especial, de "estudos individualizados". Conseguiram escapar da maldição dos atores infantis – freqüentemente relegados ao esquecimento assim que deixam de ter o encanto pueril. Seu maior patrimônio é a imagem de "certinhas". Não falam palavrão, não bebem e dançam com moderação. Estão sempre produzidas e caprichadas. Recentemente deram uma modernizada no visual, até uma nesguinha de barriga de fora se insinuou, mas nada que lembre uma Britney Spears ou uma Christina Aguilera, pesadelos das mães americanas preocupadas em manter as filhas na linha. Às vésperas dos 18 anos, o império Olsen está preparando mais uma transição, a da transformação das duas adolescentes em jovens mulheres. No ano passado, foram capa de revistas como Vanity Fair e Rolling Stone. Em maio, lançam seu primeiro longa-metragem mais ambicioso, New York Minute, em que Mary-Kate é boazinha, mas rebelde e meio punk, e Ashley é boazinha e ponto final ("Tem rapazes, tem ação, tem decote", descreve o diretor, Dennie Gordon). Além do Brasil, a expansão territorial da grife inclui Japão, Alemanha e Argentina. Portanto, aguardem: mary-kateandashley vem aí.