Capricho - Julho 2004


"Ei, você está respondendo por mim?"

As irmãs Olsen conversaram com a CAPRICHO dois meses antes da internação de Mary-Kate, durante a maratona de divulgação do filme No Pique de Nova York, que acabou se revelando um grande fracasso de crítica e público nos Estados Unidos. "A gente não poderá ficar interpretando gêmeas para o resto de nossas vidas", disse Mary-Kate na entrevista a seguir.

CAPRICHO - QUAL A PIOR MANIA DE VOCÊS?
AMBAS [pensativas] - A gente não tem hábitos esquisitos [risos].

[?] - NENHUMA RONCA?
ASHLEY - Nós duas damos pontapé e mexemos muito enquanto dormimos.
MARY-KATE - Definitivamente damos pontapé [risos].

[?] - VOCÊS ESTÃO SEMPRE JUNTAS?
AMBAS - O TEMPO TODO.
MK - Mas é claro que, às vezes, durante o fim de semana, Ashley vau para um canto e eu para outro.

[?] - VOCÊS CHEGAM A DISCORDAR SOBRE COISAS, DISCUTEM MUITO?
MK - Sim, nós somos irmãs. Mas não é porque brigamos de vez em quando que a gente se detesta. Nós brigamos num momento, mas depois ficamos muito próximas uma da outra.

[?] - E QUANTO UMA ACHA O NAMORADO DA OUTRA UM COMPLETO IDIOTA? VOCÊS DISCUTEM ESSAS COISAS?
A - Mas se o cara for um babaca, Mary-Kate saberá disso e não acho que ela sairá mais com ele.
MK - Você nunca pode entender por que uma pessoa namora outra. Quero dizer, se você não faz parte de um relacionamento, não tem como dizer: 'Ah, acho ele um babaca'. O cara pode ser um príncipe, e só eu sei disso.

[?] - VOCÊS COMPARTILHAM DAQUELA CONEXÃO PSICOLÓGICA INERENTE À MAIORIA DOS IRMÃOS GÊMEOS?
MK - Sim. Posso entender o que a Ashley sente apenas ao olhá-la de rabo de olho. A gente se saca muito bem.
A - E a gente costuma dar risadas ao mesmo tempo [caem na gargalhada].
MK - A nossa conexão é muito forte.

[?] - O QUE VOCÊS ACHAM DE OUTRA JOVENS ATRIZES NO MOMENTO APARECENDO QUASE NUAS NAS CAPAS DAS REVISTAS PARA PROMOVEREM SEUS FILMES?
A - Se elas se sentem felizes com isso, bom para elas.
MK - A gente não planeja, por exemplo, aparecer na capa da Maxim [revista masculina americana]. A gente faz o que é confortável pra nós.
A - O legal é que estamos numa posição de dizer "não, isso não fazemos". Não temos que aceitar o que outras pessoas querem. Dizemos não uma única vez, e as pessoas entendem.

[?] - VOCÊS LEVAM UMA VIDA NORMAL?
MK - Bom, é normal para nós. A gente tem vivido assim desde que tínhamos 9 meses. Como só conhecemos a vida desse jeito, não temos com o que comparar.

[?] - VOCÊS SE ARREPENDEM DE ALGO?
A - Não, porque acho que a gente tem o melhor dos dois mundos. Talvez tenha fotos da gente comendo ou espirrando, que nem sempre são divertidas, mas a gente ainda consegue sair com os amigos e fazer coisas normais.
MK - A gente não sente que deixou de viver alguma experiência importante.

[?] - VOCÊS JÁ DECIDIRAM O QUE VÃO ESTUDAR NA FACULDADE?
A - Nos primeiros anos, a gente não precisa escolher um curso específico. Mas acho que vou fazer psicologia e a Mary-Kate quer fazer culinária.
MK - [Risos.] Agora você está respondendo por mim? Tem muita coisa que eu quero fazer, incluindo culinária. Mas também penso em fazer um cuso de arte ou cinema. Quero aprender não só a teoria, mas também a prática.

[?] - VOCÊS ACREDITAM QUE IRÃO TRABALHAR SEPARADAS NUM FILME?
MK - Sim. Não podemos ficar interpretando gêmeas para o resto da vida. Acho que faremos projetos separados, sim. Talvez uma diriga e a outra atue, ou uma escreva e a outra interprete.